Análise - Pokémon Sword/Shield

Quando se trata da franquia Pokémon, é sempre uma espera ansiosa pelas próximas gerações e quais novas implementações elas trarão consigo. Mais uma vez os fãs de curta e longa data foram tomados por esse sentimento ao ser revelada a oitava geração de monstrinhos, no dia 27 de fevereiro de 2019, dentro de um Nintendo Direct. Além de introduzir os lendários oficiais Zacian (Sword) e Zamazenta (Shield), fomos presenteados com os iniciais de Galar: Scorbunny, Grookey e Sobble. Era chegada a hora de Pokémon Sword/Shield.

Da esquerda para a direita: Grookey, Scorbunny e Sobble. Bem fofos até.

À primeira vista, eu me encontrava ansioso para ver quais seriam as novas mecânicas dentro do jogo e se elas seriam ambiciosas a longo prazo, não apenas para dar a ele uma validade maior dentro do cenário casual e competitivo, mas também para marcá-lo como um jogo singular de Pokémon como foi feito em outras gerações (Z-Moves em Sun/Moon, Mega Evolution em X/Y, etc…)

Com o passar do tempo, revelações não muito agradáveis a respeito do game chegaram: a confirmação da ausência de um National Dex (possibilidade de ter a presença e a possibilidade de captura de todo e qualquer Pokémon existente até a geração atual dentro do game) e elementos gráficos que não agradaram os fãs (texturas não muito boas e animações de Pokémon que deixavam a desejar).

Esta é uma montagem do Link de Ocarina of Time perto de uma árvore de Sword/Shield.

Eu carrego um pouco dessas críticas comigo, mas isso não foi um motivo forte o suficiente para abandonar os jogos. Comprei e zerei Pokémon Sword, tenho minhas considerações honestas a fazer, boas e ruins, e opiniões bem fortes a respeito de como o jogo fez eu me sentir enquanto jogava.

O primeiro ponto a ser indicado é a necessidade séria da Game Freak pensar em designs mais carismáticos e originais aos Pokémon das gerações futuras. Os Pokémon da oitava geração, excluindo exemplos raros como Corviknight, Obstagoon e Cinderace, não deixaram nenhuma marca em mim como entidades criativas. Chega um ponto em que a preocupação da empresa responsável pelos jogos deveria ser inovar cada vez mais as espécies que são fornecidas. Em Galar, isso infelizmente não acontece tanto.

O Pokémon Dragon/Grass Applin e uma de suas evoluções, Flapple, um dragão-maçã...

O começo da jornada oferece uma visão otimista da aventura: escolher seu starter, explorar as rotas iniciais, desde a pacata cidadezinha de Postwick até receber o encorajamento do campeão Leon em Wedgehurst. O problema começa quando você presta atenção demais nos detalhes gráficos e técnicos do jogo: o aparecimento e desaparecimento em curtas distâncias dos personagens, o vazio que é explorar dezenas de matinhos com pokémons repetidos em alta quantidade (essa é de fazer os Zubats de Mt.Moon sentirem inveja…) e a animação de muitos dos golpes que, com a devida atenção e esforço, poderiam estar bem melhores.

Você e seu rival são encorajados pelo próprio campeão antes de começar a jornada

Existem duas maneiras de encontrarmos Pokémon no jogo, uma bem sorrateira ao entrar em contato com a parte da grama que “treme”, outra ao simplesmente enxergar o pokémon perambulando fora da grama e ir de encontro a ele. As animações das batalhas não são de tirar o fôlego, se você jogou Sun/Moon, com certeza não está perdendo alguma inovação nelas, até mesmo nos golpes mais bem feitos.

Um ponto interessante e positivo foi a forma exclusiva que certos Pokémon já existentes receberam para a nova região. Um dos meus favoritos foi, sem dúvidas, Zigzagoon em seu modelo Kiss, no tipo Dark/Normal, que até mesmo recebeu uma nova evolução em Obstagoon. Galar utiliza suas formas exclusivas de maneira criativa e sem exagero em termos de design dos monstros.

O trio evolutivo de Zigzagoon
Outra das minhas galarian forms favoritas, a evolução de Farfetch'd: Sirfetch'd

Sua jornada ao longo da região, que é baseada no Reino Unido, te levará de encontro a 11 cidades. Cada uma com charmes e características distintas. Dentro do mapa, o que mais chama a atenção são as Wild Areas, terrenos gigantes que possuem seções com climas diversificados e uma variedade de Pokémon que combine com determinado bioma. A ausência de HMs clássicos como Cut, Surf ou Strength permitiu uma liberdade bem maior para a customização de moves dentro do time, todas as funções que eles tinham em resolver um problema de passagem permaneceram substituídas na oitava geração.

A vasta região de Galar

Uma nova maneira de aumentar a felicidade e o afeto dos monstrinhos foi introduzida na forma de acampamentos que o treinador pode fazer em qualquer zona selvagem do jogo. Lá dentro é possível cozinhar e brincar com seus Pokémon. Caso você tenha um Pokémon que necessite de felicidade para evoluir, como é o caso de Pichus, Cleffas ou Budews, as brincadeiras bonitinhas dentro do acampamento e o cozimento de curry, que utiliza como ingredientes os berries que você coleta ao longo do game, podem ajudar bastante a facilitar esse processo.

Um pacífico acampamento com seus Pokém-CINDERACE NÃO!!!!

O combate em Sword/Shield pode ser classificado como uma faca de dois gumes, por um lado ele é bom ao continuar com mecânicas originais que sempre funcionaram bem (time de seis Pokémon, com quatro moves cada) e por outro lado ela é escassa no sentido das novas mecânicas de batalha: o que é chamado de Dynamaxing e Gigantamaxing. Na minha opinião, essa foi uma das mecânicas mais “sem alma” que a série recebeu. O que eu tenho para falar a respeito é que o Dynamaxing simplesmente torna o Pokémon gigante, enquanto o Gigantamaxing faz a mesma coisa com a exceção da aparência de alguns Pokémon (Garbodor, por exemplo, vira uma montanha de lixo).

Outros exemplos de Gigantamaxing em Meowth e Pikachu

 Não me levem a mal, a mudança de aparências para alguns é até legal e interessante, mas tirando o tamanho gigantesco, a aura rosada e os ataques Max exageradamente animados, o Dynamaxing, pra mim, não foi uma experiência rica em uma inovação que utilizou todo seu potencial criativo do Switch. Formas Dynamax estão presentes em duas partes chave do game: batalhas Max Raid e batalhas de líderes de ginásio, na primeira, o jogo permite uma cooperação online de 4 jogadores para enfrentar um Pokémon gigante localizado em fossas de pedra nas Wild Areas que emitem uma forte luz vertical rosada, caso não possua uma conexão online, os jogadores serão substituídos por NPCs. Na segunda, sempre o último Pokémon de boa parte dos líderes de ginásio possuirá uma forma Gigantamax, o que se torna bem previsível.

Em batalhas de Max Raid, você pode se juntar a quatro jogadores para enfrentar um Pokémon Dynamax. Caso não tenha conexão com a internet, o game utilizará NPCs no lugar dos amigos.

Outro ponto que tenho que criticar é a falta de estabilidade oferecida pelo online da Nintendo, somada à inteligência artificial dos treinadores controlados por computador em batalhas Max Raid: eles sempre fazem a pior escolha possível nessas lutas, chegam até a usar golpes de fogo contra Pokémon de água. O online costuma ser uma roleta russa, dependendo da sua sorte (ou azar), você pode presenciar períodos longos de espera por por outros jogadores e lags constantes durante as partidas. Deveras irritante.

Novas mecânicas positivas foram incrementadas ao competitivo do jogo com a adição de Mints, itens capazes de trocar uma Nature específica do seu Pokémon por outra, sem a necessidade de breedar para que isso aconteça. Uma variação dos Rare Candies chamada Exp.Candy também foi incrementada como recompensa das batalhas Max Raid, com elas fica muito fácil subir de nível para um treinamento mais rápido e menos rigoroso. No geral, facilidades maiores focadas nos jogadores casuais e no público de Pokémon GO, dois alvos principais de Sword/Shield.

Quem está em busca de uma história boa, que tenha fluidez e não obstrua a vontade de jogar com longas cutscenes, vai encontrar elementos similares na narrativa de Sword/Shield. Por mais que eu tenha progredido no jogo de uma maneira robótica e sem emoções -- talvez pela minha falta de empatia com os Pokémon e a região nova -- ainda é possível para o game da oitava geração conquistar a atenção de fãs da velha guarda.

O pós-game oferece os desafios da Battle Tower, além de uma outra mini-história a respeito de uma epidemia Dynamax causada por dois irmãos com cabelo de espada e escudo que se consideram “herdeiros natos” da realeza de Galar: Sordward e Shielbert. Bem curto e sem muitas variações.

Os 'vilões' do pós-game: Sordward e Shielbert

Vale a pena jogar? Definitivamente sim, Pokémon é uma experiência individual para cada geração, independente da opinião que é dada por mim nessa review pessoal. A ausência do National Dex deixou e ainda deixa muitos saudosistas frustrados com a decisão da Game Freak para os jogos de Switch, permitindo que eles encontrem mais falhas de acordo com a sua visão sobre os jogos. Fãs de longa data, apesar dos problemas, ainda vão se deliciar com todo esse frescor e novidade que o game oferece.


PRÓS:

- Estética de design bonita

- História principal cativante

- Wild Areas vastas


- Gameplay sucinto e simples para todos os jogadores

CONTRAS:

- Criatividade fraca com boa parte dos novos Pokémon 

- Online bem escasso em qualidade


- Potencial de inovação não aproveitado para o Switch

- Animação e design de encontros selvagens fraco

- Pós-game bem fraco em relação à versões anteriores
 

Nota final: 6.0


PS: Pessoal, lembrando que essa é uma review pessoal e que vocês têm todo o direito de discordar de mim, até devem, rs.