Child of Light - Carinho e dedicação num RPG sensacional.

@uroichy-san

 2014 foi um ano meio fraco para os videogames, com títulos que não agradaram, e vários outros que chegaram sem nada do que prometeram, mas, em meio aqueles poucos sensacionais, está Child of Light, um título que dispensa explicações para qualquer um que o jogue por alguns minutos. No controle de Aurora, uma princesa que morre e renasce no mundo de Lemúria, o jogador precisará buscar respostas enquanto guia Aurora por um mundo hostil dominado pelas sombras da rainha da noite, tudo para retornar ao seu lar.

 A história é um ponto forte em Child of Light, até emocionante para os mais atentos aos detalhes. Aurora começa sua jornada em um ambiente sinistro, sombrio e assustador, e a partir dali a jornada começa, o jogador assume e precisa guiá-la através das sombras até os objetivos. Toda contada através de imagens, não totalmente estáticas. Os diálogos dos personagens são todos construídos em forma de poemas e rimas precisas, que tornam a coisa toda bem interessante e diferente.

 O jogo é totalmente dublado para o português do Brasil, mas nem precisa se empolgar, pois, assim como Rayman Legends, em Child of Light a dublagem fica a cargo da narradora, que conta a história em alguns momentos durante a gameplay. Os personagens não falam, as conversas deles são todas através das cenas semi estáticas.

 A história se divide em capítulos, sem telas de loading ou pausas nas divisões, estas ficando apenas para troca de áreas do mapa, mas nada de incômodo. Não são poucos os momentos que fazem o jogador ficar com aquele nó na gargante, pois, embora não seja nada de 'além da compreensão', a história tem um ar de tristeza que se mantém de forma primorosa, sem se tornar cansativo, e dando lugar a alegria nos momentos certos.

 Chega a ser desnecessário mencionar, mas Child of Light possui gráficos incríveis, todos desenhados a mão, em um estilo aquarela que fica ainda melhor pelo efeito da engine UbiArt, que deixa tudo fluindo como uma pintura desse gênero. Os personagens, a ambientação, tudo é pintado com tanto cuidado aos detalhes que uma screenshot de uma tela desse game pode dar um quadro digno de se pendurar na parede.

 Ao prosseguir a história e explorar o mapa, outros personagens aparecerão, tanto para pedir favores quanto para se juntar a jornada, e todos são muito importantes e adicionam bastante a história, com seus próprios objetivos e problemas pessoais, incluindo missões pessoais em que Aurora acaba tendo um papel importante.

 Os combates não são o ponto mais alto do game, mas certamente não são, nem de longe, o mais fraco. Sendo um RPG clássico no combate, as batalhas são por turnos, ou você ataca ou defende, mas com o diferencial da barra de tempo, dando ao jogador a possibilidade de usar o parceiro de Aurora, ignículos, um tipo de espírito de luz que a ajuda, e com ele é possível cegar os inimigos e deixá-los mais lentos nessa barra, permitindo a Aurora, dependendo da situação, atacar duas vezes antes de o monstro conseguir atacar, e como sempre há o segundo personagem para ajudar, é possível realizar ataques devastadores após se pegar o ritmo dos turnos da batalha.

 A trilha sonora é espetacular, casando perfeitamente com todas as cenas e ambientações. Locais mais sombrios contam com trilhas sonoras mais melancólicas, especialmente quando Aurora começa a pensar em seu pai e seu desejo de voltar para casa. Enquanto nas batalhas tem-se trilhas sonoras mais aceleradas, as vezes mais tensas, outras vezes são quase óperas, colocadas de forma tão épica que você se decide a não perder aquela batalha.

 Um ponto negativo, que afeta pouco ou quase nada na gameplay, é o multiplayer, sim, ele tem esse modo, mas calma lá. O multiplayer em Child of light é algo totalmente dispensável, pois o segundo jogador assume o papel de ignículos, que não pode fazer muito além de cegar os inimigos, e abrir alguns poucos compartimentos de itens mais escondidos nos cenários. Considerando o fato de que, na história, Aurora está sempre acompanha de ignículos e outros três, e mais para o final chegam a quatro, seria mais divertido se o segundo jogador pudesse assumir o controle de um desses personagens, o que permitiria uma abordagem mais interessante nas batalhas. Mas esse ponto afeta pouco na história, já que o efeito depende do seu desejo de querer jogar com alguém.

 Outro ponto a se observar, mas que fica a cargo da opinião do jogador, é a dificuldade, eu preciso dizer que não achei isso, mas a comunidade realmente falou muito sobre a dificuldade baixa desse game. Posso dizer que não achei o jogo realmente difícil, não, mas certamente não o achei tão fácil ao ponto de considerar a dificuldade 'baixa' um problema. Acho que é um caso muito pessoal, pois eu achei desafiador na medida certa. Outro ponto que houveram muitas críticas foi a história, pois alguns disseram que 'é fraca e sem reviravoltas', já generalizando os comentários gerais, mas eu não vi isso, finalizei o jogo e devo dizer que alguns plot twists foram bem inesperados.

 Child of Light não é um RPG perfeito, mas certamente é uma obra de arte na qual a Ubisoft Montreal colocou muito carinho. Com gráficos de fazer os olhos brilharem e uma gameplay toda certinha, combates muito dinâmicos e uma história profunda, Child of Light é um jogo obrigatório na biblioteca de apreciadores de RPG, ou daquele que quer contemplar uma obra de arte em forma de jogo.

PLATAFORMAS: PlayStation 4, Nintendo Switch, PlayStation 3, Xbox One, Xbox 360, Wii U, PlayStation Vita, Steam, Uplay.