Crusader Kings 3 — Dev Diary #3 em Português

@paulo-almeida

A Paradox publicou hoje, dia 12 de novembro, o seu terceiro Dev Diary. Dessa vez, o foco do texto está no sistema de guerras do jogo e em como as batalhas funcionarão. O texto divulgado está consideravelmente maior que os outros já publicados, detalhando muito bem as nuances e o funcionamento de toda a parte bélica envolvida no jogo.

A tradução, completa e em português, está disponível abaixo.

Saudações!

Guerra. Qual a sua utilidade? Você pode se perguntar. Para várias coisas eu diria. Você pode usá-la para obter controle daquele território que é seu por direito, por exemplo. Ou você pode preferir usá-la para punir os infiéis pela fúria da sua espada. Qualquer uma das opções que lhe agrade é viável. Nessa conversa de hoje o tema é guerra, e mais especificamente como utilizá-la dentro do jogo.

Darei uma visão geral de como as guerras serão travadas. Não entrarei em detalhes sobre os Casus Bellis ou qualquer coisa do tipo dessa vez. Lembrem-se que esse jogo ainda está em desenvolvimento e muitas das coisas que falarmos aqui estão sujeitas a mudança.

Começaremos falando sobre do que é feito um exército. Igualmente no CK2, grande parte do seu exército é constituído das “levies”. As “levies” no CK3 são compostas da sua própria unidade, a qual nós chamamos de “levy”. Elas são essencialmente plebeus forçados a te servir militarmente, sendo que, por eles serem obrigados a isso, o treinamento militar dos mesmos é quase nulo. Quando estão em grandes quantidades, elas servem de “bucha de canhão” para complementar as suas tropas que possuem mais impacto na batalha: os Men-at-Arms.

Os Men-at-Arms são o equivalente às “retinues” no CK2. Elas são tropas treinadas compostas de diferentes tipos de unidades, cada uma com sua especialidade. Algumas unidades estarão disponíveis para todo mundo recrutar, como a Cavalaria Leve e a Infantaria Pesada, mas algumas mais interessantes requerem que o jogador seja de uma cultura ou esteja em uma região específica do mapa, sendo que cada uma delas possui os seus próprios atributos e usos. Falando nos atributos, aqui estão quatro valores diferentes presentes nos Men-at-Arms que você precisará ficar atento.

Damage (dano)- É a quantidade de dano que um único soldado é capaz de infligir no oponente.

Toughness (resistência) — É a quantidade de dano que um soldado pode tomar.

Pursuit (perseguição) — Ao final da batalha (mais informações abaixo), o atributo de Pursuit aumenta a quantidade de dano que um jogador inflige nas tropas inimigas em fuga.

Screen (nesse caso, screen é um verbo relativo à palavra “proteger”) — É o contrário do Pursuit. O Screen te permite fugir mais rápido de uma batalha a fim de poupar a vida de mais soldados.

Nem todos os Men-at-Arms são iguais. Você terá acesso a poucos tipos imediatamente quando começar o jogo, e irá desbloquear o resto com o passar do tempo. Alguns serão similares aos outros, mas “moldados” para se sobressair em diferentes terrenos. Outros podem ser considerados como uma melhoria direta das unidades antigas, mas nesse caso eles irão custar muito mais do que as tropas mais baratas.

Os Men-at-Arms te permitem customizar seu exército para qualquer tipo de situação. Se você sabe contra quem e onde você irá lutar, certamente os Men-at-Arms serão superiores. Você tem muitos terrenos de colina na sua região? Então os arqueiros são a sua melhor opção. Seu inimigo tem muita cavalaria? Então traga Pikemen (lanceiros)! Um exército menor terá uma chance bastante elevada de ganhar uma batalha caso as unidades de Men-at-Arms desse exército sejam as melhores possíveis para a situação. Quando um regimento batalha contra tropas que são boas contra o mesmo, a sua eficiência de batalha cai, e seu dano de batalha reduz significativamente. Caso esse regimento, além de enfrentar tropas consideradas boas contra ele, esteja em desvantagem numérica, essa eficiência de batalha será reduzida ainda mais. Temos, porém, um limite do quanto esse número poderá ser reduzido, para que essas tropas não se tornem completamente inúteis.

Agora falaremos um tipo especial de unidade nos Men-at-Arms: As armas de cerco. O cerco sempre foi uma tática muito importante na Idade Média. Castelos e cercos são elementos muito icônicos desse período, então sentimos a necessidade de representa-los de forma correta. Você começará com uma catapulta fraca liberada, mas que lhe permitirá criar cercos de uma forma mais rápida do que sem ela. Mais tarde, você liberará armas de cerco muito melhores, como as trebuchets, que permitirão um cerco bem mais rápido e eficiente.

Você só pode ter um certo número de regimentos de Men-at-Arms durante o jogo, então escolha cuidadosamente quais tropas você quer recrutar!

Levies e Men-at-Arms não são os únicos soldados disponíveis no jogo. Como um governante, você terá um número de cavaleiros a sua disposição. Eles serão vassalos e membros da sua corte que possuirão um alto valor de coragem, o que é equivalente ao atributo de combate no CK2, e representa o quão bom o personagem é em termos de combate, sendo usado quando eles participam em batalhas. Você poderá ter apenas um pequeno número de cavaleiros, mas existem vários modos de aumentar esse número e a sua efetividade.

Finalmente, temos o Comandante. Um exército poderá apenas ter um único Comandante, que usa o seu atributo marcial para melhorar as tropas que estão sob seu comando. Existem vários traços diferentes para seus comandantes, cada um trazendo um efeito diferente nas batalhas, como bônus em terrenos, ou bônus para seu comandante fora do escopo da batalha, como aumento do número de supply (suprimentos), por exemplo.

Agora que já falamos dos exércitos, podemos falar das batalhas! No começo de cada batalha, um número de combat width (largura das tropas) irá decidir quantas tropas lutarão ao mesmo tempo. A largura será relativa ao tamanho do exército do defensor, dependendo do tipo de terreno que você está lutando, como um terreno aberto e amplo, ou um terreno pequeno e montanhoso. Eu recomendo que você não ataque exércitos grandes em uma planície, por exemplo…

A parte mais importante de uma batalha é a Vantagem, que é um modificador que aumenta o dano em todas as tropas do outro lado. Quando uma batalha começa, todos os recursos de vantagem são levados em consideração. Eles podem vir de traços, terrenos, construções, etc. Mas o mais importante é o atributo marcial do seu comandante. Todos esses fatores são somados para ambos os lados de uma batalha. A diferença entre os dois atributos é adicionada como bônus de vantagem para o lado com o número maior de pontos de Vantagem.

Exemplo: Seu exército tem uma Vantagem total de 40, e ataca um inimigo que tem um total de 10. Isso significa que você terá uma Vantagem de 30 durante a batalha, que é traduzida em um bônus de dano para as suas tropas.

Além desse bônus de Vantagem, cada comandante rola um dado durante certos dias no combate a fim de aumentar a sua Vantagem. Esse sistema de dados pode ser expandido de vários modos, com vários traços e modificadores. Por exemplo, se o traço de “Líder Cauteloso” estiver em um de seus comandantes, o número máximo disponível nesse dado será diminuído, porém o número mínimo será aumentado, então na prática você estaria trocando um potencial de dano alto por mais estabilidade. Esses modificadores existem para tornar as batalhas mais imprevisíveis, porém raramente decidirão uma batalha.

Soldados na linha de frente infligem dano ao inimigo a cada tick. Quando um soldado “morre”, ele é considerado como uma baixa, ou como um fugitivo. Baixas, como você provavelmente está imaginando, são soldados considerados mortos que terão suas vagas preenchidas com o tempo. Soldados fugitivos, por outro lado, são tropas que ficaram machucadas ou fugiram da batalha e são adicionadas de volta ao seu exército quando a batalha está terminada. As batalhas terminam quando um dos lados fica sem combatentes.

Quando uma batalha é ganha, entramos em uma fase chamada “Aftermath” que dura por alguns dias. Nessa fase o exército vitorioso tem a chance de perseguir os inimigos, a fim de matar quaisquer sobreviventes (as tropas em fuga). Como dito anteriormente, essa é a hora que algumas unidades de Men-at-Arms brilham. Com um valor de perseguição alto, você poderá matar mais tropas nessa fase. Por outro lado, você poderá optar por um numero grande de tropas com bônus em “screen” para fazer com que a sua derrota tenha o menor impacto possível. Lembre-se que essas batalhas dão uma quantidade de war score. O que nos leva até os cercos!

Cercar e ocupar prédios inimigos é o melhor jeito de se ganhar war score e, com isso, ganhar guerras. Como mencionamos na nossa última conversa, as Baronias agora possuem suas próprias províncias no mapa. Você não precisa cercar todas elas parar encher o seu war goal, apenas prédios fortificados precisam ser cercados. Castelos e capitais de um condado são fortificados por padrão, a dificuldade do cerco é indicada pelo seu nível de fortificação. O nível de fortificação poderá aumentar com certos prédios e outros elementos modificadores.

Cada nível de forte aumenta a quantidade de tempo necessária para um cerco ser bem-sucedido. Você ganhará um pouco de progresso no cerco a cada tick, que pode ser aumentado mais adiante quando o jogador possui a superioridade numérica em relação às unidades que estão no forte, ou pelo uso de armas de cerco. Esse progresso será constante e não mudará enquanto o cerco estiver encaminhado. Isso te permite saber qual será a duração do cerco e você poderá usar isso para planejar seu próximo movimento. Os cercos também possuem eventos característicos que ocorrerão em um intervalo fixo, tais eventos poderão aumentar a velocidade do cerco, seja através de um bônus no número fixo do progresso de cerco, ou aumentando a barra de cerco de uma vez. Armas de cerco são necessárias para o evento referente a romper os muros, que te permite atacar o prédio diretamente. Essa é uma tática arriscada, pois irá agilizar o progresso de cerco ao custo da morte de algumas tropas.

Ser atacado enquanto está cercando um prédio fará de você o atacante da batalha, o que implica na perca dos bônus de defensor que você provavelmente ganharia por lutar nesse terreno. Cercos são arriscados, e atacar diretamente um prédio a fim de acelerar esse processo antes que um inimigo apareça pode ser uma tática viável, apesar de custosa.

Ainda sobre o movimento dos exércitos. Como eu mencionei no nosso último diário, os rios principais possuem lugares específicos de travessia. Você não poderá mais atravessá-los livremente como no CK2, e normalmente você terá que mover seu exército para procurar um bom lugar de travessia. Tome cuidado, pois atravessar um rio considerado como principal fará com que o jogador perca uma quantia considerável de pontos de Vantagem, caso o mesmo entre em uma batalha com o inimigo do outro lado, que torna essas travessias oportunidades perfeitas para uma emboscada. Além do maior número de terrenos impenetráveis, existem várias passagens que você poderá usar a fim de conseguir uma Vantagem na batalha.

Não é horrivel passar rapidamente por uma província no CK2 e perder quantidades absurdas de tropas apenas por causa do limite de suprimentos? Seus problemas acabaram! Os exércitos agora carregam uma quantidade de suprimentos com eles. Os suprimentos são gastos todas as vezes que o exército passa por uma baronia cujo limite de suprimento é menor que o tamanho do exército. Agora você pode marchar com segurança através de baronias com pouco suprimentos sem que suas tropas morram. Se seu exército ficar sem suprimentos, você terá problemas com o atrito e começará a perder tropas com o tempo. O suprimento aumenta enquanto você está abaixo do limite de suprimento de uma determinada província em um território do seu controle. Tome cuidado, pois seu exército pode não sofrer danos de atrito por conta dos suprimentos baixos, mas sofrerão uma penalidade no número de Vantagem quando entrarem em combate!

Perseguir inimigos que estão muito longe de seu território não é recomendado. Entrar em um condado controlado pelo seu inimigo, que não tem fronteira com nada que você controla e que não está localizado na costa do mapa, fará com que seu exército tome um dano significativo de atrito. Mas caso você tenha uma quantidade grande de tropas talvez você não precise se preocupar com isso.

Ufa. Esse texto foi maior do que eu imaginei. Espero que vocês tenham entendido um pouco mais do que nos estamos tentando fazer em termos de guerra no Crusader Kings 3!