Deadlight - Survival horror em sidescrolling, uma aposta certeira.

@uroichy-san

 Chegando em 2012 para Xbox 360 através da Live, e mais tarde para Microsoft Windows através da Steam, Deadlight trouxe uma proposta diferente para a época, pois, num ano onde grandes anúncios chegavam ao mercado, como o anúncio de Resident Evil 6, o reboot de Tomb Raider, e The last of Us, a tequila works trazia o game Deadlight, um sidescrolling, aqueles jogos onde vemos tudo de uma única perspectiva o tempo todo, de sobrevivência, onde o jogador controla Randall Wayne, um guarda florestal que se vê em meio a um apocalipse zumbi, e em meio a esse caos, ele precisa reencontrar sua família, mas não se lembra de quase nada dos últimos dias.

Não, a imagem não está bugada.

 A gameplay se baseia no princípio de qualquer jogo side scroller, com Randall sempre indo da direita para a esquerda, em alguns momentos da esquerda para a direita, e tendo que correr, lutar, e resolver puzzles para sobreviver aos zumbis que dominam os cenários. Em diversos momentos, inclusive, o jogador é colocado em sonhos do personagem, onde é basicamente andar para a direita, ou correr, até que ele chegue em sua casa.

 Randall não é um super personagem, ele possui um fôlego limitado, que pode ser um pouco melhorado com o decorrer da história, e uma vitalidade mediana, resistindo a, no máximo, três golpes antes de cair morto, mas mesmo isso também pode ser um pouco melhorado com o passar do tempo.

 A disposição do jogador, não imediatamente, estão, um machado, uma Magnum calibre 38, e uma escopeta, entretanto, nada disso pode dar conta de uma horda de zumbis, já que munições são escassas, e o machado não pode dar cabo de três ou mais zumbis, ao menos não facilmente. É importante lembrar também que o barulho chama a atenção, então os disparos só deixam a situação mais complicada, pois atrairá mais zumbis. Não há muitas opções, o mais sábio é correr, e escalar, pois o jogo permite que Randall escale em quase tudo que fica no caminho, e zumbis não sobem nas coisas.

 A história gira em torno da busca de Randall pela sua família, e toda a história é contada em imagens estáticas que mostram o que acontece naquele momento, devolvendo o controle ao jogador em seguida, é um substituto bem legal para as cutscenes, e um jeito legal de se contar uma história de um jogo que você nunca vê de outra perspectiva que não a 2D.

 A jornada de Randall em busca de sua família passa por diversos cenários, de áreas mais destruídas, com casas condenadas e auto-estradas devastadas, a centros comerciais dominados e hospitais. Outro ponto muito interessante no jogo, assim como em The Walking Dead, em Deadlight os personagens não falam 'Zumbis', eles se referem as criaturas como 'sombras', o que acaba ficando interessante quando você observa que, por conta do ângulo 2D da câmera, os zumbis são sempre escuros, como sombras realmente, tendo apenas os olhos de cores brilhantes.

 O que deixa um pouco a desejar, ou muito, dependendo de onde você joga, são os controles. Falando da versão do Steam, que é a minha, mas eu soube que até hoje as versões sofrem disso, temos o problema do delay de resposta. Não é difícil você apertar o botão duas vezes e o personagem só golpear uma única vez, tornando quase impossível lutar com duas sombras ao mesmo tempo, já que Randall vai golpear, parar, e só então golpear de novo. E as armas de fogo sofrem com isso e mais um pouco, pois é muito difícil dar dois tiros rápidos, o que é fácil de ignorar, e de relevar se for com a escopeta, mas a mira é um pesadelo!

 Jogar no teclado e mouse até consegue encobrir, um pouco, esse problema, deixando menos perceptível por conta da alta precisão de um mouse. Contudo, para aqueles que tentam jogar com um controle, seja USB, ou nos consoles, mirar nas sombras se torna uma tarefa de paciência, pois a sensibilidade e a imprecisão do controle é muito perceptível, mirar num zumbi rapidamente? Nem pensar.

 É claro que é muito fácil analisar um único ponto negativo e se esquecer dos positivos, mas as vezes os pontos negativos pegam diretamente em algo que deveria ser bom, pois todos queriam aquilo, ou até pior, sendo em algo necessário, o que torna o jogo difícil demais, e por vezes, inviável.

 Com uma mecânica que jogo que funciona bem aqui e mal ali, Deadlight consegue ser bem competente naquilo que se propõe a fazer, que é nos levar a um mundo em ruínas numa perspectiva diferente. Com uma história profunda, e um plot twist de explodir cabeças, esse é um daqueles jogos que você zera e fica alguns minutos olhando para a tela, contemplando a experiência que acabou de ter.

PLATAFORMAS: PlayStation 4, Xbox One, Xbox 360, Steam.

NOTA: Para os que não sabem, uma curiosidade, em The Walking Dead, tanto nos quadrinhos quanto na série, nenhum personagem usa a palavra 'zumbi', pois o criador queria passar a ideia de que os personagens não fazem ideia do que estão enfrentando. Mas, como é muito comum no Brasil, a dublagem estragou esse pequeno detalhe, introduzindo a palavra zumbi no lugar de todas as outras que os personagens usam, como 'Biters', 'Walkers', entre outras que eu desconheço.