Halo 2 Anniversary - Um verdadeiro exemplo de remake.

 Primeiramente um alerta, Spoilers serão evitados, mas estamos falando de um jogo de 2004, e de uma continuação direta do jogo de 2001, então não dá para simplesmente ignorar pontos, então haverão sim alguns spoilers menores.

 Halo 2 chegou ao mercado em 2004, nos trazendo a continuação da saga do Master Chief, mas dessa vez com uma roupagem mais complexa e plot twists também surpreendentes.

 Em 2014, com o lançamento da Master Chief Collection, recebemos um remake do jogo de 2004, totalmente fiel ao original, porém, refeito do zero. Gráficos, trilha sonora, e até adição de conteúdo, uma edição Anniversary que faz jus ao nome da franquia.

História:

 A história tem seu início já nos mostrando dois lados do conflito. No primeiro somos apresentados aos Covenant, onde o líder daqueles que deveriam proteger o Halo, do primeiro game, está sendo julgado como um herege após ter falhado e permitido que o Master Chief e a Cortana o destruíssem. Enquanto isso, no lado oposto, vemos o Master Chief e o sargento Johnson sendo condecorados pelas suas ações na luta contra os Covenant, e Miranda Keyes, filha do comandante da pilar do outono, recebe uma medalha em nome de seu pai. Contudo, durante a cerimônia, uma frota Covenant aparece e ataca as linhas de defesa da terra.

 Após um combate intenso, e com a derrota certa, o líder da frota Covenant foge pelo slipspace, a dobra espacial no universo de Halo, sendo seguido por Miranda, Johnson, e Chief, e do outro lado se deparam com um novo Halo, então eles se dividem para tentar, mais uma vez, destruir a ameaça do Halo.

 Do outro lado da história estão os Covenant, no mesmo Halo, acompanhados pelo, antes julgado herege, conhecido como Árbitro, que tem a missão de matar um traidor da espécie que fala contra os Prophets, líderes dos Covenant e pregadores da grande jornada, mas para isso é necessário que se ative o Halo. Nas instalações o Árbitro logo se depara com um mal conhecido, mas que agora revela uma mente coletiva, um ser superior, e que logo se mostra capaz de antever todos os movimentos dos Covenant, e também dos humanos.

 A história é grandiosa, para sua época, e talvez até única, pois não vemos só o lado do herói, onde ele é condecorado e elogiado para depois dormir em paz, dessa vez podemos ver os dois lados, e vemos que o vilão do jogo anterior nem sabia direito onde estava se metendo, mostrando que sempre há dois lados em uma história. Há ainda a criatura conhecida como Gravemind, o líder supremo dos alienígenas parasitas Flood, que fala de forma quase filosófica e se mostra muito inteligente e calculista. A história também mostra como um tipo de fanatismo pode guiar as massas para sua própria destruição, e tudo isso mantendo os acontecimentos de Halo: Combat Evolved como alicerce principal que levou a esses eventos de agora.

Ambientação:

 A ambientação do jogo continua tão interessante quanto a do primeiro jogo, a flora e fauna do Halo não são super detalhadas, mas ainda estão muito bonitas de olhar. A recriação completa do jogo permitiu ao estúdio 343 melhorar de forma grandiosa o game, adicionando detalhes que foram impossíveis no original.

 As áreas de floresta são exuberantes, mas abertas e permitindo boa visibilidade no combate. As instalações internas do Halo são, por sua vez, claustrofóbicas e silenciosas, o que cria um clima mais tenso.

Gráficos:

Originais

 Como já dito, Halo 2: Anniversary foi refeito do zero, todas as texturas, seja de ambiente, armas, ou personagens, foram retrabalhadas do início, tornando esse um remake de peso na indústria.

Remake

 Assim como no primeiro, nos consoles basta se apertar o botão back e alternamos para os gráficos originais, sem loadings ou engasgos de qualquer tipo. Com essa possibilidade de alternância é possível se ter uma ideia da dimensão que as mudanças atingiram. E, assim como no primeiro, é interessante observarmos que o original e o remake podem mudar um pouco a percepção do game em si.

 Nos gráficos originais tudo é mais escuro, e os corredores e florestas acabam ficando mais assustadores.

 Já nos gráficos remodelados temos um jogo atual, tudo mais vivo e com mais cor, permitindo mais noção do que está à frente.

Gameplay:

 A jogabilidade se mantém fiel ao estabelecido pelo jogo anterior, as armas possuem um modo de tiro secundário, apertando-se o analógico direito, e fora isso deve-se usar a mira central da tela. Mas agora pode-se usar até duas armas, de alguns tipos, ao mesmo tempo, mas nesse modo não se pode jogar granadas ou trocar de arma.

 Assim como no primeiro, também, as granadas podem ser usadas sem a necessidade de serem equipadas, e os golpes físicos agora causam mais dano, mas esse ponto também vale para os Covenant.

 Jogar com o Master Chief não mudou muito, apenas recebeu o polimento devido e merecido, pois ainda podemos andar, pular, golpear, e fazer uso de toda e qualquer arma pelos cenários, ou retiradas de inimigos. Contudo, jogar com o Árbitro é um pouco diferente, já que, apesar de mudar pouco a mecânica de uso das armas, existem habilidades que se alteram, por exemplo, os Covenant não usam lanternas, em vez disso o botão designado faz uso de um tipo de camuflagem temporária que nos permite passar despercebidos pelo inimigo.

 As armas também receberem seu polimento, mas o arsenal em si mudou pouco, há as armas humanas, metralhadoras, rifles de longa distância, pistolas, escopetas, e lança foguetes, mas essas armas usam munição limitada que precisa ser recarregada quando encontrada. Há também as granadas de fragmentação, que ricocheteiam em alvos sólidos e explodem causando dano em uma pequena área.

 E há as armas Covenant, rifles de plasma, pistolas de plasma, rifles de raios, carabina covenant, canhão de combustível, e needler, essas armas usam munição própria que também precisa ser encontrada, mas também pode ser obtida de covenants derrotados. A particularidade das armas covenant é o fato de que muitas delas superaquecem se usadas de forma contínua, sendo necessário alguns segundos para que se possa usá-las novamente, e dessas, as três primeiras citadas acima não podem ser recarregadas, uma vez que a munição acaba ela se torna inútil. As granadas covenant, por sua vez, grudam no alvo e explodem após alguns segundos, causando um dano bem alto.

Ponto negativo:

Lord Terrence Hood

 A falta de legendas em português. Por algum motivo esse Remake não recebeu tantas legendas, para o nosso idioma, quanto deveria, o que é estranho, pois enquanto o primeiro título conta com legendas completas e em todos os momentos, o segundo título acabou se perdendo, e, por algum motivo, temos apenas legendas durante as cutscenes, em todos os outros momentos não há legenda alguma, o que pode dificultar a compreensão da história para algumas pessoas, já que a Cortana acaba sendo responsável por boa parte das explicações nesses momentos.

Ponto positivo:

 A inserção de um antagonista enigmático. O Gravemind se mostra muito misterioso quando aparece, a criatura suprema por trás do Flood fala com clareza e demonstra uma capacidade estratégica muito acima de seus servos, porém, ele se mantém um mistério e revela pouco sobre si mesmo.

 A escolha de dividir a história em duas. Pode ser algo comum hoje em dia, mas na época não era tanto assim, e vermos os dois lados da história, da forma como foi feita, foi o ponto chave para tornar esse jogo digno de ser considerado memorável. Lembrando que é muito fácil fazer uma história onde temos o herói e o vilão, mas aqui nos foi mostrado os dois lados, um onde o herói é agraciado, e o outro as consequências da falha para o vilão.

 A adição de conteúdo. Pequena mas significativa, duas cutscenes foram adicionadas a Halo 2: Anniversary, ambas com a intenção de complementar a história e fazer conexões com o universo de Halo 5: Guardians.

Conclusão:

 Halo 2 já foi grandioso em sua época, contando uma história excelente e sendo uma continuação digna, porém, sua versão Anniversary foi uma homenagem mais do que merecida, e pudemos reviver todos os eventos do jogo original em altíssima definição e gráficos dignos da atual geração de consoles, da época. Só foi mesmo uma pena não recebermos legendas completas para o nosso idioma, uma pena e algo estranho, parecendo até que alguém deixou isso passar sem querer.

 Gráficos, jogabilidade, trilha sonora, tudo refeito do zero para homenagear um dos jogos mais importantes da indústria. Halo 2: Anniversary, a edição de aniversário que mostra como um Remake deve ser feito.

Plataformas: Xbox One, Steam, Windows.

Versão analisada: Xbox One.