Halo 3 - Mais um salto para a franquia.

Alerta: Há Spoilers nessa análise.

 Em 2007 chegava aos jogadores Halo 3, continuação indireta de Halo 2, e o primeiro da série a trazer uma dublagem para o nosso idioma. Ele é uma continuação indireta pois sua história não se inicia do fim de Halo 2, sua história tem início a partir dos eventos da HQ Uprising, lançada em 2009 pela Marvel, mas que, infelizmente, não chegou oficialmente ao Brasil.

História:

 Após os eventos da HQ, o jogo se inicia com Chief entrando na atmosfera da terra e acidentando-se na África oriental, onde é encontrado pelo sargento Johnson e seus homens.

 Uma guerra interna se instalou entre os covenant, e agora alguns deles, incluindo o Árbitro, são aliados dos humanos. Após impedirem que um objeto Foreruner seja acionado sobre a cidade de Nova Mombasa, os Covenant parecem derrotados, porém, a ameaça dos alienígenas parasitas Flood chega a terra em uma nave Covenant avariada. Chief e os outros encontram uma mensagem de Cortana que os leva a uma instalação onde o líder dos covenant, um dos Prophets, pretende ativar todos os Halos existentes.

 A história segue o padrão da série, e também consegue ser ótima, nos entregando um enredo bem direto e fechado, mas ainda mantendo seus mistérios para uma continuação.

Ambientação:

 Dessa vez temos uma variedade maior de cenários, pois passamos por cidades, rodovias, florestas, instalações Foreruner, desertos, e naves infestadas pelo Flood.

 Tudo bem que as cidades não são cheias de detalhes, mas é algo justo e compreensível, já que estamos falando de um cenário de guerra, e de um game de meados da geração Xbox 360.

Gráficos:

 Apesar de ainda ter gráficos muito bons para sua época, isso ainda é um ponto curioso e que merece observação. Os dois primeiros jogos receberam seus devidos cuidados, sendo que o 2 é um remake muito bonito, entretanto, o 3 não recebeu um cuidado similar, houveram sim muitos polimentos em detalhes de luz e sombra, por exemplo, mas os gráficos em si poderiam ter sido melhorados ainda mais. Deve-se observar que ainda são gráficos excelentes para sua época, e melhores ainda nessa coleção, mas para quem jogar desde o primeiro haverá um estranhamento após terminar o 2 e iniciar o 3.

Gameplay:

 Não há grandes inovações na jogabilidade, os comandos e física básica do mundo se mantém, mas agora existe a possibilidade de se usar duas armas ao mesmo tempo, porém, usar duas armas impede o uso de granadas ou armas secundárias. Essa mecânica já existia em Halo 2, mas não era algo tão útil, já que não havia um equilíbrio agradável entre usar duas armas e uma só, deixando mais complexo para o jogador casual.

 Outra adição são os chamados equipamentos, que são itens com efeitos variados que podem ajudar o jogador, como escudos, torretas, restauradores de energia, minas, entre outros.

Ponto negativo:

 O mal aproveitamento de um possível inimigo. O Flood é certamente uma ameaça muito grande no universo de Halo, já que, além de fortes, são criaturas que surgem de todas as partes e de forma imparável, sem contar que seu contexto é de uma força incontrolável capaz de matar tudo que existe na galáxia.

 No segundo game fomos apresentados a inteligência coletiva por trás dos alienígenas parasitas, porém, mesmo se mostrando um ser muito inteligente, calculista, manipulador, e estrategista, o ser chamado Gravemind não possui aproveitamento quase nenhum em Halo 3, nem sequer aparece de forma direta como no anterior, apenas ouvimos ele falar e vemos os tentáculos da criatura tomando o lugar, e, fora isso, há apenas alienígenas infectados pelo Flood, e isso é sim uma pena, pois ele demonstrou potencial para ser um inimigo memorável e de tamanho fora dos padrões, até então, usados pela franquia. Para quem jogou DOOM Eternal, poderia ter sido algo de nível similar a batalha contra o Ídolo do pecado.

Ponto positivo:

 A dublagem brasileira. Para nós brasileiros isso é um ponto muito importante, não só para Halo, mas para a indústria dos games, pois, um fato que muitos podem não saber, é que Halo 3 foi um dos primeiros jogos a nos trazer uma dublagem pt-br de tamanha qualidade, mesmo que tenham havido alguns deslizes dos dubladores na hora de falar os termos não traduzidos, onde vimos Halo virar Ralo. Lembrando que estamos falando de 2007, onde até a localização ainda engatinhava por aqui, e graças a essa atitude da divisão Xbox muitas outras empresas viram como isso deu certo, e por conta disso hoje temos a dublagem de games como algo corriqueiro, a boa dublagem, é claro.

 O desenrolar preciso dos fatos. Halo 3 não muda muito de seus antecessores na forma como a história é contada, mas quando consideramos que a história passa por cidades devastadas, rodovias tomadas pelos covenant, desertos, e áreas de floresta, podemos perceber o quão bem trabalhada a história é, pois não há um excesso de combates, mas também não há momentos de calmaria demais, tudo fica equilibrado e casa bem com a forma como a história é contada.

Conclusão:

 Halo 3 conseguiu ser único, mesmo sendo um terceiro título, ele fez, e faz, jus ao nome que carrega e entrega uma experiência polida, agradável, e muito divertida. Tendo sido um dos primeiros, se não o primeiro, a trazer uma dublagem em português de alto nível, Halo 3 foi o primeiro da geração Xbox 360, e conseguiu cumprir tudo o que se esperava.

 Com uma inteligência artificial muito polida, uma jogabilidade responsiva e agradável, e uma história que continua de forma magistral os eventos iniciados em Combat Evolved, Halo 3 fez por merecer os elogios que recebeu. Dinâmico, intuitivo, e surpreendente, o combate contra o Flood chega ao seu momento decisivo.

Plataformas: Xbox 360, Xbox One, Steam, Windows.

Versão analisada: Xbox One (Master Chief Collection)