Halo 4 - O último da geração.

Alerta: Há Spoilers adiante.

 Lançado para o Xbox 360 em 2012, Halo 4 foi o primeiro título feito totalmente pelo estúdio 343, pois anteriormente estava nas mãos da Bungie, criadora original do jogo. Usando mecânicas já consagradas, refazendo capturas de movimento, e retrabalhando alguns detalhes na história, Halo 4 foi o título de maior investimento da Microsoft até então, e não demorou para recuperar os gastos e obter lucro. Agradando ao público e críticos, ele foi o último da série principal a chegar ao Xbox 360, e fez por merecer seu lugar na história do console.

História:

 Quatro anos após os eventos de Halo 3, nos deparamos com a metade da nave Forward Unto Dawn, ainda flutuando perdida no espaço. Uma nave covenant aparece e a Cortana se vê forçada a acordar o Master Chief, que está em hipersono.

 Após darem um jeito em uma das naves covenant os dois se veem diante de um planeta Foreruner que engole toda a frota de naves covenant e a Forward Unto Dawn, e é nesse planeta onde a história começa.

 Explorando a fundo são reveladas as origens dos Foreruner, a guerra deles contra o Flood, e até mais sobre o próprio Master Chief.

 A 343 quis se aprofundar mais nos eventos passados do universo de Halo, e por isso a história desse título se focou nos Foreruners e na razão para o Halo ser a arma definitiva contra o Flood. Eles também quiseram mostrar o lado mais humano do personagem, e por isso o jogo trabalha um pouco da relação entre o Chief e a Cortana.

Gráficos:

Cutscene
Gameplay

 É até difícil acreditar que o jogo ainda é da geração 360. Halo 4 foi um jogo tão bonito que, em sua versão da Master Chief Collection, ele não recebeu muito mais do que um polimento em luz e sombra. Partículas, armas, veículos, todas as texturas de modo geral, tudo é tão bonito que pode ser facilmente definido como além de sua geração.

Ambientação:

 Halo 4 se passa no planeta Réquiem, um planeta Foreruner que já não abriga formas de vida inteligentes, a não ser um tipo de prisioneiro.

 O mundo é magnífico, mesmo não sendo um Sandbox, sempre fica a sensação de que podemos ir adiante, mesmo os cenários mais longínquos parecem acessíveis.

 A flora também é fantástica, as áreas de floresta são verdes e passam uma sensação de profundidade quase palpável, parece realmente uma floresta densa e exuberante. As áreas de deserto também são muito bonitas, com rochas bem feitas e pequenas áreas com água.

Gameplay:

 Ainda mantendo a jogabilidade clássica da franquia, Halo 4 inova mesmo é no arsenal. Dessa vez os inimigos são os Prometheans, um tipo de raça alienígena tecnológica, sendo mais como máquinas inteligentes, que protegem as instalações Foreruner.

 As armas dos Prometheans são diferentes das humanas e das armas covenant, como pistolas de raios, rifle leve, fuzil de repetição (um tipo de metralhadora), rifle binário (um monstro no dano a distância), e arma de propagação, mas se igualam aos Covenant por também possuírem armas que não possuem recarga, como o canhão incinerador.

 As granadas são diferentes de ambos, pois as granadas de pulso criam um campo que suga o escudo do personagem e em seguida implode e explode, o matando.

 Lidar com os Prometheans é, por si só, bem diferente de se lidar com os covenant, pois eles são muito mais agressivos, e alguns, como os Knights, são fortes e podem saltar em direção ao jogador, usando um golpe físico com uma lâmina que pode matar instantaneamente, fora serem capazes de usar um tipo de teleporte de curta distância.

Ponto negativo:

 E mais uma vez Halo desperdiça um bom vilão. Dessa vez o vilão da história é um Foreruner renegado que usa o Master Chief para se libertar de sua prisão no centro de Réquiem. O Foreruner chamado Didact é poderoso e inteligente, e se mostra ciente do risco que a guerra entre humanos e Covenant pode representar para a vida que os Foreruners lutaram para proteger. Porém, assim como o Gravemind em Halo 2 e 3, ele não é bem aproveitado para a trama, sendo ainda pior que o anterior.

 No Didact temos um vilão com capacidade ofensiva extrema, uma inteligência muito avançada, e uma razão para ser como é, mas nada demais acontece. Não fica claro o que ele pretende, nunca descobrimos se ele usaria os anéis, ou alguma coisa, deixando o final meio estranho, seu objetivo parece ser apenas transformar a vida da terra em informação e converter em mais soldados Prometheans, mas não chega a ficar claro. E a batalha final, se é que dá para chamar assim, é pífia, se muito, pois nem chegamos a enfrentá-lo de fato. É difícil definir, mas Halo parece ter uma dificuldade em trabalhar mais nos vilões.

 O relacionamento Master Chief e Cortana. Calma lá, não é que a ideia seja ruim, de forma alguma, mas a forma como encerraram esse arco foi ruim também. A Cortana assumir uma forma física, sem nenhuma explicação de como, e ainda salvando o Master Chief da destruição de Réquiem, e também sem sabermos direito como, foi uma falha grave de enredo que parece ter passado batido pela desenvolvedora, foi um detalhe legal? Sim, mas, com o final corrido como foi, acabou ficando raso e sem emoção, algo que deveria ter, já que seria um adeus a uma personagem que nos acompanha desde o primeiro game.

Ponto positivo:

 A inovação nos rumos da história. Mesmo sendo bem mais interessante enfrentar os Covenant, foram legais as reviravoltas nos finais do segundo e terceiro jogos, o que sustenta muito bem a história do quarto, e faz com que ele seja tão bom quanto seus antecessores, mesmo tendo um final duvidoso.

 A dinâmica de Doom antes de 2016. Os mais negacionistas podem lutar contra essa ideia o quanto quiserem, mas a verdade é que DOOM 2016 fez uso de dezenas de mecânicas de Halo para se construir, e Halo 4 nos mostra isso muito bem. Lembrando que isso não é uma via de mão única, afinal, Halo é um filho de Doom, ou seja, temos Halo se construindo sobre as bases de Doom, e mais tarde ajudando Doom a se reconstruir. A dinâmica do jogo pegou suas próprias premissas e aplicou ainda mais de Doom em si, onde temos inimigos de todos os lados, mas menos inteligentes do que nos anteriores, alguns usando armas letais, outros muito resistentes, e não podemos ficar parados em um só lugar por mais que alguns segundos. Em 2012 vimos isso em Halo, e em 2016 vimos isso em DOOM, claro que com seu próprio estilo, mas está ali.

Conclusão:

 A história de Halo 4 dividiu opiniões em sua época, e ela realmente entrega um final fraco após nos apresentar acontecimentos grandiosos. Contudo, ainda temos um jogo ótimo que nos entrega uma jogabilidade excelente, gráficos excepcionais, e uma história que se sustenta.

 Halo 4 conseguiu fechar a franquia no Xbox 360 com chave de platina, e podemos dizer, sem sombra de dúvidas, que ele foi um jogo que transcendeu sua geração.

Plataformas: Xbox 360, Xbox One, Steam, Windows.

Versão analisada: Xbox One (Master Chief Collection)