Need for speed - O filme

@uroichy-san

 Há muitos anos todos nós, os fãs de games, queremos apenas uma coisa da indústria cinematográfica, um filme baseado em jogos que entregue tudo o que vemos nos jogos, o que, infelizmente, nunca tinha acontecido.

 Porém, em 2014, o diretor de cinema Scott Waugh nos trouxe algo inesperado, escrito por George Gatins e John Gatins, e produzido pela DreamWorks, chegava aos cinemas Need for speed - O filme. Com tantas histórias de ação, ou simplesmente mais complexas, esse diretor, ou quem quer que seja, parece ter feito o certo, olhou para um game amado e que possui uma história simples, e nos trouxe uma ótima adaptação.

 Por algum motivo se vê muita gente, que diz gostar de games, falando mal desse filme também, e por isso eu quero apresentar meus pontos, que são na verdade fatos.

 Primeiro. Need for speed não possui uma história fixa entre os jogos. Já vi muitas pessoas, supostos fãs, falarem essa besteira, de que o filme não adaptou bem a história do jogo, mas eu pergunto, como assim?

 Em todos os jogos da franquia, o que víamos? Um piloto que, no começo, está em uma corrida e durante a corrida algo acontece e ele, ou vai preso e depois é solto e quer vingança, ou ele é sacaneado por outro piloto e quer vingança, enfim, a história sempre gira em torno do nosso piloto que quer vingança sobre outros.

 E a questão é que o filme nos apresenta exatamente isso. Resumidamente, a história é centrada em um piloto de corridas ilegais, Tobey Marshall, dono de uma garagem que modifica carros caros, e que é injustamente condenado pela morte de seu melhor amigo. Dois anos depois, enfim libertado da prisão, ele procura vingança por quem o incriminou. O básico de Need for Speed.

 Segundo. Tudo no universo de Need for speed é resolvido através de corridas. Nos jogos nós somos apresentados a um universo de corridas ilegais onde todos resolvem seus problemas através de rachas, o que, novamente, se faz presente no filme. O protagonista tem um grande problema que pode ser resolvido através de uma corrida, mas para chegar até lá, basicamente, ele precisa correr por boa parte do país, ou do estado, devo admitir que não ficou muito claro para mim essa parte.

 Mas o ponto é que se mantém a mesma característica da franquia de games, comparável, mais precisamente, a Need for Speed The Run, onde o protagonista precisa chegar a outra ponta do mapa vencendo corridas.

 Terceiro. O principal, os carros. O filme nos trás alguns clássicos imortalizados pelos games, como o Mustang Shelby, a Lamborghini Sesto Elemento, embora essa já não seja tão comum, Saleen, McLaren, entre vários outros que, mesmo nem estando nos games, não deixam de ser o tipo de presença marcante que aparece neles, e o tipo de coisa nova que os diretores podem adicionar sem alterar nada de relevante para a história como um todo.

 Quarto. O ultimo e tão importante quanto os outros, a polícia. Principalmente para quem jogou Most Wanted e Hot Pursuit, a polícia é um fator determinante na gameplay, e no filme ela se faz presente, sendo tão agressiva quanto nos jogos. Vale até uma menção honrosa a nossa tão amada e odiada viatura que, em Most Wanted, ficou conhecida como rhino, aquela blazer que se jogava em cima do carro do jogador como um tanque, que também marca presença no filme, realizando até o mesmo tipo de ação, mesmo que não saia ilesa como no game.

 Enfim, esses são alguns pontos que eu percebo que muitos ignoram, querem tanto uma boa adaptação de jogo para filme, mas nem param para pensar em como deveria ser uma boa adaptação. Em minha opinião, uma boa adaptação deve fazer justamente isso, não tentar trazer jogos com histórias muito complexas se o diretor quer contar a dele, como Paul W.S Anderson fez com Resident Evil, e sim pegar um game simples, Need for Speed, que possui uma história muito mais simples ainda, e então criar sua própria história, que não fere em nada o universo dos jogos, podendo se dizer que até acrescenta.

 Need for speed - O filme, consegue remeter muito bem ao universo criado pela Criterion games nos idos do PS2, quando a franquia estava no auge. Universo, carros, corridas, e principalmente, atores desconhecidos, porque seria muito zoado se colocassem Vin Diesel para ser protagonista só por ser um filme de corrida, por exemplo. Assim como Mortal Kombat fez em 1995, Need for Speed fez em 2014, arriscando, e nos entregando algo digno de ser chamado de boa adaptação. Se ainda não assistiu, e gosta da franquia, pode confiar, é divertido do começo ao fim.

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