O que é e Por Que Jogar Crusader Kings 2?

@paulo-almeida

É mais um dia normal na escola. O relógio marca 9 horas quando a professora de história entra para mais uma aula. Luiz sempre foi um aluno exemplar, e a aula de história era seu momento favorito da manhã, pois sempre contemplara os tempos antigos como um pai que, ao olhar a foto antiga de um filho, fica mesmerizado ao relembrar dos momentos vividos com quem tanto amou. Dentro dos próximos 50 minutos, uma palavra escrita em giz branco irá mudar a vida de Luiz: Feudalismo. Uma série de eventos e fatos históricos transportam Luiz a uma realidade paralela, onde reis lutam por poder enquanto controlam seus vassalos, condes lutam para conquistar mais terras e, um dia, se tornarem independentes dentro de seus próprios domínios, e chefes de família lutam pela honra e glória de suas dinastias. Um universo como este infelizmente está distante da realidade latino-americana de Luiz, pois mesmo esses eventos tendo acontecido há mais de 6 séculos, esse universo de castelos e lordes feudais nunca foi uma realidade concreta em terras brasileiras. Entretanto, em um belo dia, Luiz descobre um jogo que irá permitir com que esse universo imaginário se torne vivo diante de seus olhos: o Crusader Kings 2!

Como um rei controlava tantos vassalos ao mesmo tempo? Qual a influência da religião durante o período medieval? É possível um pequeno conde um dia se tornar um grande imperador? Essas são perguntas que provavelmente já martelaram a cabeça de pessoas recentemente introduzidas ao feudalismo. Devido ao fato do Brasil estar localizado em um continente distante da Europa, a cultura medieval não é algo que pode ser encontrado com facilidade em nossos domínios. Enquanto os Índios nativos estavam vivendo livremente em nosso território, a Europa vivia um período de enorme turbulência e conflitos entre os povos que ali viviam.

Cenários medievais são constantemente temas de filmes e séries (mesmo que muitas delas fantasiosas), onde elas exploram os mais ínfimos detalhes da vida e da estrutura social dos povos medievais. Recentemente a série Game of Thrones fez bastante sucesso por retratar uma trama inspirada na época medieval, onde muitos dos elementos de poder e intriga são constantemente encontrados em histórias europeias da época, despertando o interesse de muitos de seus espectadores por esse período tão marcante e desconhecido de nossa história.

Em Crusader Kings 2, o jogador assumirá o papel de um lorde medieval em qualquer lugar de um mapa que se estende da Europa até o Tibet. Uma vez escolhendo seu personagem, o jogador será lançado em um mundo onde a intriga e as guerras são uma constante, cabendo ao mesmo sobreviver nesse ambiente inóspito a fim de trazer gloria à sua dinastia. Independente da escolha de personagem do jogador, lidar com brigas entre vassalos, suseranos e religiosos será uma preocupação inevitável, onde conflitos internos e externos comprometerão a integridade do seu reino. O jogo possui um leque enorme de possibilidades e é um balanço genial entre estratégia e role play, sendo essa uma característica que torna o jogo ímpar tanto entre os amantes de ambos os gêneros, além de ser gratuito. Porém, como todo jogo da Paradox, a complexidade inicial é um problema que afasta muitos dos potenciais interessados nesse universo engenhoso, e a falta de um tutorial nativo também não ajuda muito a reverter essa má impressão. Tendo em vista isso, nesse artigo buscarei explicar o básico do funcionamento do jogo e, caso o jogo instigue o interesse de muitas pessoas, em um futuro próximo devo explicar as interfaces presentes na tela.

Que tipo de jogo é esse?

Crusader Kings 2 é um jogo focado nas pessoas. Sim, existem guerras, conquistas, expansões, reinos colapsando e conflitos religiosos, mas a complexidade do jogo está em gerenciar a sua dinastia. Você joga com um personagem. Quando esse personagem morre você jogará com o seu sucessor (que é determinado segundo as suas leis de herança), caso não possua um sucessor da sua dinastia, o jogo terminará. Seu legado continuará no mapa, mas seu jogo acabou. Enquanto no Europa Universalis as ideias nacionais e as decisões descrevem as características do seu povo, no CK2 os traços de um personagem e suas ambições descrevem como o personagem é e como você deverá jogar com ele. No Shogun 2: Total War, você talvez precise escolher entre especializar uma certa província em cavalaria ou arco e flecha, já no CK2 as suas decisões serão mais centradas nas pessoas, talvez você tenha que decidir entre prender ou não a sua segunda esposa pois ela está tramando para assassinar o filho da sua primeira esposa, já que o filho da primeira esposa está na frente do filho dela na sua linha de sucessão.

Como o jogo funciona?

Na print acima, vemos um exemplo de como uma ação é descrita no jogo e como o personagem tenta justificar o porquê de ele agir dessa maneira. As ações de um personagem podem também vir em forma de escolhas, onde o jogador selecionará o comportamento que achar mais adequado para o personagem. Porém todas as ações do jogador trazem consequências, sendo elas visíveis quando o jogador passa o mouse por cima da descrição de suas ações.

Qual o melhor personagem para um iniciante?

É um consenso na comunidade que o melhor lugar para se começar é na Irlanda, e personagens irlandeses com mais terra e poder serão ainda mais fáceis comparados a pequenos condes espalhados pela ilha. O seu primeiro objetivo será formar o Reino da Irlanda. Seu segundo objetivo será expandir para a Grã-Bretanha e participar de uma cruzada. Se tiver sorte, você poderá por algum membro da sua dinastia no trono de algum outro reino.

Em um próximo artigo colocarei uma explicação detalhada da interface, bem como uma explicação sucinta da hierarquia medieval representada no jogo.

Tutorial fonte (em inglês)

Jogo na Steam (gratuito)