Obscure - Um terror como nenhum atualmente.

@uroichy-san

Análise de ambos os jogos.

 Não sei se existe um título melhor para o Sony Playstation 2, ou para os PC's, um jogo sem bugs e sem falhas no enredo. Com personagens carismáticos, e uma história com profundidade digna dos filmes de terror dos anos 80. De fato, a história em si foi baseada nos filmes clássicos de terror adolescente dos anos 80, mas com o diferencial que a história se passa numa escola, mais ao estilo da clássica mansão de Resident Evil do PS1, e sem o assassino caçando todo mundo.

 Obscure chegou ao PS2 em 2004, trazendo a história de cinco jovens que estudam no colégio Leafmore. Um dia, após o irmão de um dos protagonistas desaparecer após ficar até mais tarde na quadra jogando basquete, os cinco amigos decidem ficar na escola após esta fechar para tentarem encontrá-lo, e a história segue a partir dai, com o jogador tendo que desvendar esse mistério que se mostra cada vez mais aterrador a medida que a noite chega e a luz desaparece. Você entenderá se jogar.

 Obscure 2, ou The aftermath, chegou ao PS2 em 2007, trazendo eventos dois anos após os acontecimentos do primeiro game. Ambientado no mesmo colégio, este game trouxe os jogadores de volta ao colégio Leafmore, e novamente traz os horrores do game anterior, mas com gráficos além da geração, e uma gameplay tão refinada que o tornaram, em minha opinião, um jogo melhor do que muito games de terror atuais. Um clima tenso, e uma história pesada, fazem dele um jogo de terror como poucos, mesmo nos dias de hoje.


 Em Obscure o jogador estará na pele de um dos cinco protagonistas, sempre jogando com dois, é possível alternar entre um e outro a hora que quiser, mas sempre se lembrando de que cada personagem possui uma habilidade única, sem a qual, o jogador não poderá prosseguir além de determinado ponto. Por exemplo, no caminho há um vaso de planta muito grande, então será necessário que o personagem com mais força física o pegue e puxe para fora do caminho, enquanto que em outro ponto, pode aparecer uma porta trancada, então o personagem com habilidades de 'destrancar' portas, deverá usar uma lock pick, meio improvisada, para destrancá-la. E vale ressaltar, tudo isso é sempre feito pelo jogador, nada de apertar um botão e a máquina fazer qualquer que seja a ação.

 A câmera lembra muito uma mistura dos clássicos das franquias Resident Evil e Silent Hill, ficando sempre em um ponto da tela que cria uma leve visão isométrica, como em Resident, mas as vezes ficando nas costas do personagem, como em Silent Hill. E isso cria um diferencial, que eu achei excepcional, a mudança dos momentos em ambientes fechados e áreas mais abertas.

 Quando em corredores apertados, salas de aula, ou qualquer outro tipo de ambiente interno da escola, a câmera se posiciona sempre em um ponto fixo do ambiente, por vezes, em ângulos que expõe um cadáver na tela, ou escondem um monstro, o que causa um belo susto. Enquanto que, em ambientes externos, como os pátios, ou áreas mais abertas como a quadra, a câmera já se posiciona um pouco atrás, e levemente acima do ombro do personagem, o clássico 'Over the shoulder', mas um pouco mais para trás do que o de costume, dando um ângulo de visão mais amplo, e ainda sim preocupante, pois nunca se sabe o que virá pelas costas.

 A inteligência artificial, tanto dos monstros quanto do seu parceiro, são sensacionais, nada de perder porque o seu parceiro, controlado pela máquina, morre para um monstro, ou então, um monstro vir para cima do jogador mesmo com a morte certa, ou então sair do meio do nada, o que não os impede de quebrar paredes ou portas e te dar um belo susto. Mas nada de bugs. Outro ponto muito legal para a época é a jogabilidade, a qualquer momento um outro jogador poderia assumir o controle do outro personagem, mas isso não afeta a gameplay, pois os personagens não são super-humanos, e os monstros são bem letais, então mesmo com dois jogadores jogando juntos, sustos são garantia, e a dificuldade será considerável.

A resolução te fará rir, no jogo eles te farão chorar!

 Os monstros são grotescos, para dizer o mínimo. A mutação ocorre por conta de um esporo liberado por uma flor misteriosa, e todos os monstros possuem uma forma humanoide que os torna ainda mais assustadores de se contemplar. A maior parte deles possuem formas ainda dos alunos, até trajando as roupas que usavam, totalmente desfigurados. Alguns se assemelham a uma pessoa 'invertida', como as garratéas de RE:Revelations 2. Não dá para entrar em detalhes demais por conta de, como a história se passa num universo mais jovem, em um colégio meio universidade, muitos monstros possuírem uma conotação sexual subjetiva. Por exemplo, o mais suave a se citar, algumas entidades fantasmagóricas são mulheres sem os braços e com espinhos nas pernas, elas prendem a cabeça do personagem entre as pernas enquanto ele perde vida, e elas ficam fazendo um som, como um gemido, que incomoda bastante, mas deixa claro a conotação do que quer dizer.


 Em conclusão. Pessoalmente eu não encontrei pontos negativos nesse jogo, os gráficos são espetaculares para a época, tanto em CG’s, que sempre foram o ponto alto do PS2, quanto em gameplay. O combate também é excepcional, fluido e dinâmico da maneira correta, o balanceamento excelente entre movimentação e combate permite ao jogador andar ou correr dos monstros, e se necessário se virar rapidamente e atacá-los antes mesmo de sofrer algum dano. O jogo é tão bom que permite o combate e até a fuga, a escolha fica a cargo do jogador quase que o tempo todo.
 Com jogabilidade excelente, gráficos espetaculares (para mim até hoje), trilha sonora tenebrosa, uma câmera calculadamente bem posicionada, e uma história que prende sua atenção, este jogo merece cada centavo gasto, é um jogo obrigatório para os fãs do gênero de Survival Horror, que verdade seja dita, anda bem fraquinho nos últimos anos.

PLATAFORMAS: PS2, Steam.

NOTA: Muitos vão mencionar os jogos de terror atuais, mas esse jogo não te coloca num manicômio ou num ambiente sinistro cheio de criaturas a esmo, você começa numa escola normal, e vê tudo ir de mal a pior.