Rayman Legends - O gênero plataforma vive!

@uroichy-san

 Sejamos sinceros, o gênero plataforma como um todo foi completamente esquecido nos últimos anos, ao menos pelas grandes empresas. Títulos indies até tentaram trazer essa experiência ao jogador novamente, mas alguns falharam muito, ou não conseguiram todo o sucesso merecido, ou simplesmente são excepcionais e muito famosos, mas, como eu já disse, não são de grandes empresas, então não tiveram o marketing global ou o desenvolvimento milionário que empresas grandes tem. Mas felizmente a Ubisoft, em 2013, nos trouxe Rayman Legends, continuação do Rayman Origins, lançado em 2011, que nos leva de volta a uma aventura em 2.5D tão perfeita e tão bem trabalhada, que sinceramente, fica até difícil pensar que esse é um gênero esquecido.

 Lançado em 2013, Rayman Legends acabou tendo um peso imenso nas costas, pois é importante lembrar, foi em 2013 que tivemos lançamentos que revolucionaram o mercado de games em alguns aspectos, como, mas não se limitando a, o excepcional The last of us, o grande reboot de Tomb Raider, e as promessas de The Crew, e The division, estes dois últimos sendo da própria Ubisoft. Para uma empresa arriscar num lançamento desse em um ano com tantos lançamentos, incluindo dois anúncios de IP's novas dela própria, já era de se imaginar que o game viria com alta qualidade, e considerando que é uma continuação, é até compreensível a confiança deles em lançá-lo no meio de tantos outros títulos grandes.

 A história de Rayman Legends não é muito diferente de muitos jogos do gênero plataforma, simples e direta. Rayman e seus amigos estão dormindo a um século, pois é, e nesse tempo os pesadelos começaram a se multiplicar, agora o mundo está se tornando um caos novamente, e cabe a Rayman, Globox, e os Teensies, a tarefa de salvar o mundo. O jogador então é colocado no controle do personagem, e pode começar a correr para resolver os problemas. No decorrer da história é possível ainda salvar algumas princesas, que não são nada vulneráveis, que se tornam jogáveis também, e com isso ficam cada vez mais personagens para se escolher, e é possível jogar o game todo com Rayman ou qualquer outro personagem.

 Para dizer o mínimo, Rayman Legends está lindo. É sério, a engine gráfica criada pela Ubisoft para este jogo foi um dos maiores acertos da empresa. A UbiArt Framework, desenvolvida unicamente para este jogo, na época, usada novamente posteriormente, claro, é um primor no quesito cores vivas e ação na tela, sim, ação. Rodando no Xbox 360 o game já é incrível, mas com a retrocompatibilidade para o One, os gráficos ficam sensacionais, tudo rodando a 60 quadros por segundo é um verdadeiro colírio para os olhos.

 Diferente de muitos jogos do gênero, falando de indies, mas sem comparar para não ser injusto, é necessário dizer que tudo tem vida, tanto a parte do mapa em que o jogador está, quanto o cenário ao fundo, ou até mesmo o cenário que passa próximo a tela quando o personagem é jogado para o cenário ao fundo, é tudo muito bonito e vivo.

 Para começar a separar os pontos, vou começar pelos que incomodam um pouco, ou são ruins mesmo, ou apenas fracos.

 Começando pela dificuldade, que é bem baixa para um 'novo jogo +'. Embora o jogo não possua de fato um modo de jogo que permita um recomeço sem deletar o progresso anterior, sempre haverão aqueles que terminam o game e querem aquela sensação de refazer certas coisas, ou simplesmente estão a um tempo sem jogar e querem recomeçar. Independente da razão, o jogo se torna muito fácil quando você já o finalizou uma vez, e os desafio ficam mais por partes que exigem muita precisão, que nem são tantas assim. Felizmente isso não se aplica a quem está a muito tempo sem jogar.

 Outro ponto que ficou conhecido por todos que jogaram, mas não é algo realmente problemático, é mais um desperdício por parte da Ubisoft. A personagem Bárbara, uma simpática, uhm... bárbara, que se torna uma personagem jogável após ser 'resgatada'. Sim, mas calma lá, a personagem em si não é nem de longe o problema, pelo contrário, ela é muito legal, e muito bem vinda no game, então vamos ao ponto.

 Suas variações...

Bárbara e Elysia

 Primeiro vamos aos detalhes, em Rayman, cada personagem tem sua historinha, que é contada num quadro que aparece acima da pintura na sala de seleção de personagem, todos os personagens possuem sua própria história e 'personalidade' segundo essa história, e a Bárbara não é exceção.

 Dai você pergunta, tá, mas toda essa enrolação é pra...?

 O problema surge justamente porque cada personagem possui sua própria história e personalidade, mas na verdade elas não possuem diferença nenhuma, nada mesmo. Por exemplo, na história do perfil, Bárbara é irmã de Elysia, e, segundo o perfil de Elysia, ela é diferente de propósito para não ser confundida com sua irmã, e luta de forma diferente para ser diferente dela, mas isso não acontece, jogar com qualquer uma das duas é a mesma coisa. E isso se aplica a todas as princesas que você 'resgata', são duas por estágio, e as duas são sempre iguais, mas com pinturas corporais diferentes, tendo como base a história de que uma é diferente da outra para não ser confundida com sua irmã.

 E como eu disse, isso não chega a ser um problema, mas se era para criar tantas personagens para serem resgatadas e adicionadas a personagens jogáveis, por que então não fazer uma diferente da outra?!

 Agora falando da jogabilidade, que é excelente. Rayman mantém a proposta do anterior, até 5 jogadores podem se juntar a partida localmente, 4 se for um Wii U, podendo entrar a qualquer momento com o apertar de um botão. A ideia é a de tantos outros do gênero, correr da esquerda para a direita, e as vezes da direita para a esquerda, e até de cabeça para baixo, com o objetivo de alcançar o fim daquela fase. No meio do caminho estão os mais diversos tipos de inimigos, que podem ser derrotados da forma clássica, saltando sobre a cabeça deles, ou com um soco ou chute, que pode ser carregado se o botão for mantido pressionado por alguns segundos.

 Rayman Legends possui ainda três pontos altos que se destacam, merecendo serem mencionados. O primeiro, as batalhas contra os chefes, que são incríveis. Um pouco mais desafiadores do que o restante das fases, os chefes ainda sim seguem o padrão clássico de jogos de plataforma, com padrões que se alteram conforme você causa dano, e precisando de três golpes, as vezes em locais específicos, para serem derrotados. Mas todos possuem animações e trilha sonora ótimas, que divertem muito e te instigam a derrotá-los. Outro detalhe, comum mas legal, os mini chefes, que são monstros mais poderosos que ficam na fase anterior a do chefe principal, e são tão divertidos quanto desafiadores.

 O segundo ponto que merece destaque, e algo, ouso dizer, único no gênero, as fases musicais. Após terminar os níveis, completar todas as fases e vencer o chefe principal, independente da pontuação, a fase extra é liberada, uma fase em que uma música toca enquanto o personagem corre, acompanhando perfeitamente o ritmo do jogador e parando a cada erro e morte. O ponto alto da fase, além da própria música, é a dificuldade um pouco elevada, já que a fase é do tipo em que é necessário que se corra o tempo todo, e cada morte, independente de onde seja, levará o jogador de volta ao início.

 E o terceiro e último ponto que deve ser mencionado, Rayman Legends traz de volta 40 fases do Origins, totalmente remodeladas e reconstruídas com o mesmo motor gráfico do Legends, com direito até aos chefes clássicos.

 Em conclusão, com itens a colecionar, fases muito divertidas a se explorar, e desafios para todos os gostos, Rayman Legends mostra o que uma empresa pode fazer quando decide dedicar tempo e dinheiro para lançar um triple AAA de um gênero tão simplista quanto o de plataforma. Lindos gráficos, jogabilidade ótima, e personagens pra lá de carismáticos, Rayman Legends é obrigatório para qualquer um que queira a experiência clássica em gráficos dignos de uma pintura.

PLATAFORMAS: Xbox One, Xbox 360, PS3, PS4, Steam, Uplay.