Resident Evil 7 - Uma inovação ou um desvio?

@uroichy-san

 Lançado no começo de 2017, Resident Evil 7 chegou prometendo ser o survival horror que os fãs tanto queriam, trazendo de volta aquela sensação de medo e claustrofobia que os primeiros games da série causavam, mas será que podemos dizer que ele conseguiu?

 Para começar é preciso dizer que os pontos clássicos se mantiveram, como o baú onde devemos depositar os itens em excesso, um inventário limitado que pode ser expandido mais tarde, embora a expansão seja mínima, como nos clássicos, a munição escassa, e a ambientação, que nos remete a boa e velha mansão nas montanhas arklay.

 Novamente somos obrigados a explorar uma casa muito grande, com quartos secretos, segredos para desvendar, e itens para coletar. Com várias portas que precisam de determinado item para serem abertas, e chaves para serem destrancadas, e até algumas caixas com itens aleatórios que precisam de itens de uso único para serem abertos, deixando o jogador com a escolha, valerá a pena usar aquela única gazua para abrir a caixa de ferramentas? Será que terá algo realmente bom?

 Os inimigos da vez são os membros da família Baker, uma família de Dulvey, na Luisiana, que, após serem infectados por uma experiência que escapou do confinamento, se tornam assassinos canibais que vão caçar o protagonista durante todo o jogo. Contudo, eles não são os únicos, pois algumas criaturas conhecidas como mofados estão espalhadas pela propriedade, e são criaturas resistentes e com capacidades regenerativas, então sempre fica aquela dúvida sobre a munição a ser gasta.

 Dessa vez a infecção se deve ao mutamiceto série E, um vírus descoberto e estudado por uma organização que fica conhecida no jogo apenas como 'conexão' e 'HCF', embora não fique muito claro se essa é alguma organização com algum tipo de ligação com a extinta Umbrella. O indivíduo série E, ou Eveline, é um inimigo um pouco diferente do que os jogadores da franquia se acostumaram, pois ela nunca vai aparecer para enfrentar o jogador a não ser no final.

 A gameplay é muito fluida, e os controles são excelentes, não há bugs ou falhas gráficas pelo cenário. Atirar é uma maravilha, com os controles responsivos é muito fácil você ter uma mira precisa e conseguir aquele headshot certeiro, muito embora um headshot não signifique nada para um mofado. A variedade de armas também continua fiel a série como um todo, começamos com uma pistola, clássico, então encontramos a escopeta, e assim por diante. Lança-granadas, lança-chamas, canivete, fora algumas armas que se ganha ao finalizar, e algumas variantes da pistola e da escopeta, o que também é clássico. Tudo isso com seu inventário limitado a 12 itens, que pode ser expandido algumas vezes, tendo quatro partes separadas para o acesso rápido pelos direcionais, ou numerais caso seja um PC. 

 A câmera em terceira pessoa, marca criada na série, foi substituída pela câmera em primeira pessoa, o que causou certa estranheza na época do anúncio, e um certo falatório entre os fãs mais conservadores. A verdade é que essa câmera trouxe uma renovação para o conceito terror, e a vantagem da câmera em primeira pessoa é a possibilidade de uma exploração mais vasta dos cenários, já que podemos nos aproximar e observar detalhes minuciosos com mais atenção.

 Não dá para falar de um Resident Evil sem falar da sonorização, que em todos até hoje eu vi um primor único, a Capcom nunca falhou no som em Resident, mesmo nos mais esquecidos da franquia. Jogar com um fone de ouvido torna a experiência mais imersiva em muitos jogos em primeira pessoa, e na maioria na verdade, mas nesse Resident o uso de fones torna tudo ainda mais assustador, e real. Sério, colocar um fone e se aproximar das janelas enquanto está chovendo, assim como em todos os outros da série, é incrível, você ouve as gotas batendo no vidro de forma nítida e tão real que até parece que está chovendo na vida real também. Claro, que isso também implica num pânico mais severo, já que os sons produzidos pelos mofados se tornam ainda mais grotescos com os fones. Tudo fica mais vivo, você ouve seus passo, e leva um susto, gotas dos canos de água, o vento nas árvores, os trovões no céu, enfim, desde os mais antigos a capcom sempre colocou detalhes sonoros que, eu imagino, muitos ainda nem sabem, mas dessa vez é tudo em primeira pessoa, então, porque não experimentar não é.

 Infelizmente esse Resident não escapa de pequenos pontos negativos, mas felizmente nenhum gráfico. Primeiro, as batalhas contra bosses, que não são muito mais difíceis do que todas as outras. Em sua maioria eles não exigem muito, é só aplicar a mesma estratégia que você usou até esse momento e continuar atirando. Muitos dirão que é algo recorrente a franquia como um todo, e a falta de inteligência de alguns inimigos até seria justificável, mas é importante lembrar que em toda a franquia os inimigos humanos, mesmo quando infectados, costumam ter comportamentos mais agressivos e mais calculistas, como por exemplo o Jack Krauser de RE4, e o Neil Fisher de RE:Revelations 2. Infelizmente os Bakers não agem diferente dos monstros sem consciência, mas durante as batalhas eles continuam falando com você e te ameaçando, mas sem demonstrar qualquer tipo de estratégia na forma como atacam.

 Um outro ponto negativo para o game como um todo, em minha opinião, é a mudança para a primeira pessoa, mas é necessário explicar. A franquia se estabeleceu como sendo em terceira pessoa, redefinindo e criando um estilo com RE 1 e 4, contudo, ao longo dos anos, principalmente com a saida de Shinji Mikami da capcom, vimos isso se perder com histórias fracas e personagens mal aproveitados, como foi o caso de RE 5, e histórias fracas, como em RE 6. Mas foi em 2015, com Revelations 2, que muitos fãs começaram a se perguntar sobre o futuro da franquia, com a mudança abrupta e desnecessária na personagem Claire Radfield, onde a capcom a transformou de uma jovem que levava muito jeito com crianças, para uma mulher que parece indiferente a tudo e todos que não estão em seu círculo pessoal, e sendo péssima ao tentar conversar com uma criança. E para o retorno do mal aproveitado Barry Burton, que teve uma campanha construída sobre os fundamentos de The last of us, chegando a ser taxado de tentativa fracassada de cópia, o que era muito difícil de negar, mesmo que não fosse.

 Enfim, o que quero dizer com tudo isso é, a franquia se estabeleceu e teve seu auge nos quatro primeiros jogos, mas sempre causando terror e apreensão na terceira pessoa, deixando o jogador apreensivo e tenso pelo clima, ambientação, e por deixar aquele ar de 'que criatura aparecerá para me atacar' que nós sempre gostamos, contudo, a câmera em primeira pessoa é um meio de arrancar sustos fáceis e fazer parecer que é um susto super elaborado. Para entender basta analisar o que assusta mais, suposição, um copo de vidro que cai na sua frente em primeira pessoa, dentro de uma casa sinistra, ou cachorro que late do nada? Em uma casa igual.

 Para concluir, quem não se lembra do licker da delegacia de RE2, ou do regenerator de RE4, que foram monstros que nos deram grandes sustos e causaram apreensão sem precisar dar um pulo na tela.

 Quero deixar claro que não sou contra a mudança para primeira pessoa, nem sou contra jogos em primeira pessoa, mas talvez o título Resident Evil 7 não se aplique tão bem, já que apela para um tipo de terror que não se encaixa na franquia. Mas enfim, devo dizer, com poucos pontos negativos na gameplay, controles excepcionais, e uma história digna da franquia, Resident Evil 7 é obrigatório para aqueles que já não veem um jogo novo para a franquia principal desde 2012.

PLATAFORMAS: PS 4, Xbox One, PC, Steam.