Resident Evil: Revelations - O terror vem das águas.

@uroichy-san

 Em 2012 foi lançado o mais novo título, mas foi em 2013 e 2017 que os donos de PC, Xbox 360, Xbox One, PS3 e PS4 puderam contemplar o mais 'novo' título da franquia Resident Evil, o início de uma nova ramificação, Revelations, que trouxe inovações em mecânica de jogo, jogabilidade, e claro, nos levou novamente a ambientes claustrofóbicos e apertados, onde os perigos e a tensão eram companheiras constantes do jogador.

 A história de Revelations se passa no meio do oceano, em um navio 'fantasma' que foi tomado por criaturas grotescas que eram criadas para serem usadas como armas bio-orgânicas. Esses seres, criados a partir de um novo vírus encontrado no fundo do oceano, se alimentam basicamente de sangue, e vagam pelos corredores sinistros do navio abandonado em busca de mais vítimas. É então que entram em cena Jill Valentine, já conhecida do primeiro game, e Parker, estreante na franquia, que precisam percorrer o navio atrás de um sinal de Chris Radfield, que está desaparecido. A trama vai ficando mais complexa e cheia de reviravoltas conforme avança, bem típico da franquia, e por se passar em um navio, a água é um elemento muito presente em Revelations.

 A jogabilidade sofreu uma mudança neste título, pois, diferentemente dos anteriores, desta vez é possível andar e atirar ao mesmo tempo. Com a câmera se posicionando perfeitamente sobre o ombro direito do personagem, a jogabilidade foi elevada para algo muito melhor do que o que tínhamos até então, mudando completamente a estratégia e a forma como as situações são abordadas.

 A telas de loading, que nos primeiros eram as portas se abrindo, também são utilizadas aqui, mas não mais como telas de loading, afinal já não há mais necessidade, mas agora são apenas para dividir os cenários. Ao se aproximar de uma porta um botão de ação pode ser pressionado, e o personagem em questão passa por ela, de forma totalmente automática e sem poder ser parado, e até os monstros são resetados se estiverem atrás do jogador, não passando pela porta e voltando a sua posição original na sala onde estavam.

 Os gráficos na geração do PS3 e Xbox 360 já estavam sensacionais, tendo sofrido ótimos portes das versões de console portátil, mas as de Xbox One e PS4 estão ainda melhores, mesmo que tenha sido relativamente pouca a mudança para esta. A iluminação e a renderização dos monstros tornam tudo ainda mais intenso, e os personagens também ficaram muito mais bonitos aos olhos dos mais atentos.

 Neste game foi a estreia do modo de jogo chamado de Raid, onde o jogador poderia selecionar um personagem entre os vários do próprio game e jogar uma das várias salas do navio Queen Zenobia, cenário da maior parte da campanha do game. Os personagens precisam ser desbloqueados ao se bater uma certa quantidade de pontos, e alguns possuem até mesmo outras roupas para serem desbloqueadas, fora as armas raras e incomuns que aparecem conforme se sobre de nível.

 O modo de jogo funciona basicamente como um RPG, com os monstros tendo uma barra de vida exposta sobre suas cabeças, e com cada armas aplicando uma determinada quantidade de dano, que aparece a cada tiro acertado.

 E não há como falar desse game sem falar da polêmica que gerou entre os fãs. A personagem Rachael Foley, uma personagem com um design realmente estranho para os padrões de Resident Evil, e que se destoa demais dos outros personagens, mesmo sem ter um grande papel na história.

 A personagem é uma dos membros da FBC, que foi enviada ao navio para investigar algo que não fica muito claro ao longo da história, e desaparece. Inclusive, alguns trailers cinemáticos foram feitos pela Capcom na época do lançamento do game, contando um pouco mais dessa personagem, o que apenas a deixa mais estranha na história. Mas tá, o que causou um desconforto nos fãs foi, na verdade, o design da personagem, que parece muito mais uma personagem de anime do que do universo de Resident Evil.

 Muitas análises, e muitas pessoas nos comentários de plataformas como Steam e nuuvem falam sobre a personagem ser 'sensual demais'', 'ter um corpo com medidas exageradas', o que parece ser tudo o que incomodou os jogadores, entre vários outros tipos de comentário, mas sempre focando no visual dela, especialmente do busto.

 Particularmente eu nunca tive muita opinião sobre a Rachael, mas pensando um pouco eu só acho que faltou mais capricho da Capcom no rosto da personagem, e no ajuste do traje, e eu explico. Falando da cabeça, muitos reclamaram que o rosto dela é muito estranho, dado o fato mais óbvio, que é o fato de ela estar sempre com a mecha de cabelo sobre os olhos, e nunca os vermos, nem no modo Raid, e isso se torna muito bizarro, especialmente porque o cabelo dela parece ter sido colocado em cima da hora e ficou em destaque em relação ao corpo. É um detalhe difícil de reparar se você joga normalmente, pois a ambientação do game dá uma disfarçada nisso, mas é só clarear um pouco e fica bem visível.

 E o outro ponto que foi alvo de críticas, os seios da personagem, mas em minha opinião o que ficou desnecessário mesmo foi o traje quase saindo. Levando pelo lado da história, não vejo porque ela não poderia ser uma agente de campo da BSAA só por ter seios grandes, mesmo que tenham exagerado um pouco no tamanho, mas o traje quase saltando do corpo podia ter sido corrigido, dado o tipo de missão que ela realizaria seria mais compreensível um traje normal, que cobrisse o corpo todo, assim com Jill e Jéssica. Agora, como muitos comentários falam, dizer que a personagem está toda errada por fazer parte de uma 'força policial' e ter seios grandes se torna algo estranho a meu ver, talvez eu esteja errado, sei lá. Mas acho que isso não é obstáculo dentro de determinado contexto, fora que isso daria margem para ela ser até uma personagem com mais foco no desenvolvimento pessoal, por exemplo, ela poderia ser uma novata que tenta realizar missões de campo, mas justamente pelo seu físico ela não consegue usar golpes físicos como Jill, se valendo apenas, eu não sei, talvez apenas a pistola e as granadas. Enfim, seria algo a se abordar, dar um pouco de limitação  a uma personagem sem tirar a lógica por trás da gameplay, isso permitiria ao game 'inovar' sem perder a raiz do terror.

 Deixando claro, não discordo de alguns, seria bem estranho uma mulher como a Rachael usando escopetas e metralhadoras grandes como as que vimos na franquia, ao menos com seios tão grandes, mas não vejo porque isso tem de ser um fator que elimine a personagem, quer dizer, mulheres de seios grandes não podem fazer parte de uma história de um game sem ser comédia ou um game adulto por acaso?

 E quanto ao rosto, realmente falta uma renderização melhor no cabelo, e mostrarem que ela tem olhos, que ficam escondidos e nunca aparecem, de forma até bizarra em muitos momentos, já que o cabelo dela nunca se move, muito embora isso fosse comum na franquia na época.

 Enfim, com pontos negativos que são mais pessoais do que de gameplay ou gráfico, Resident Evil: Revelations consegue fazer algo que a franquia já não fazia a um tempo, que é nos levar de volta a corredores apertados e ambientes claustrofóbicos, com sustos bem colocados e monstros grotescos que nos levarão de volta aos corredores da mansão em Arklay. Bem vindo, ao Survival Horror.

PLATAFORMAS: PS3, PS4, Xbox 360, Xbox One, Steam.