Tomb Raider (2013) - Um reboot de respeito.

@uroichy-san

 Anunciado em 2012, o reboot da franquia da exploradora e aventureira Lara Croft se mostrou grandioso já na E3, pois fez mais barulho do que seria esperado para um anúncio de um Reboot, e ainda mais após os últimos jogos terem tido recepções mais mornas em relação aos primeiros no PS1.

 Logo de cara fomos apresentados a uma nova Lara, totalmente remodelada dos jogos antigos. Desta vez a empreitada ficou nas mãos da Crystal Dynamics, que entregou um reboot para servir de exemplo a muitos outros. A nova Lara Croft chegou sendo agora uma garota inexperiente, e mais humana, e com mais enredo por trás dos porquês da personagem, sua motivação, e até recebemos alguma origem mais concisa para suas habilidades.

 Dessa vez somos colocados no controle de Lara em uma ilha no meio do mar do diabo, na ilha de Yamatai, onde Lara acredita que há indícios de uma antiga civilização governada por uma rainha chamado Himiko. Muita coisa dá errado e a jovem Lara acaba sozinha e tendo que correr para se salvar e sobreviver, e pode crer, sobreviver descreve bem o ritmo desse jogo.

Os cenários são cheios de detalhes legais de se observar, como locais com vários tanques soviéticos, bases militares abandonadas, e até navios naufragados que podem ser explorados.

 Yamatai fica como uma ilha totalmente aberta a exploração, e cabe ao jogador decidir para onde vai, ou não. Um ponto muito bom, quase primoroso nesse jogo, e que tenho certeza que poucos notaram, é que você tem cenários bem grandes para explorar, mas o tempo todo o mundo ao redor te leva para o caminho certo, não importa o quanto você se afaste. Por exemplo, ignore o instinto de sobrevivência, apenas saia andando, mesmo que você entre numa tumba secreta, verá que em pouco tempo estará chegando no ponto para onde deveria ir, mesmo sem nem ter olhado para onde precisava ir, e é incrível como isso acontece de forma tão natural.

 Outro ponto que foi mais trabalhado pela Crystal Dynamics foi o enredo, e agora vemos um crescimento mais humano na personagem, que precisa até mesmo matar animais para comer, embora só seja necessário uma vez. É interessante observar que no começo do jogo ela se desculpa com os animais que mata, mas vai ficando mais indiferente a medida que a história progride.

 A ação também recebeu seu upgrade em relação aos jogos passados. Tiroteios, cenários sendo destruídos enquanto o jogador precisa correr, e veículos que avançam contra a protagonista, tudo em Yamatai força a Lara a correr, pular, escalar e matar para sobreviver. Esses momentos acabam sendo realmente épicos, e o melhor é que a ação fica toda a cargo do jogador, onde, em sua maioria, é o ele que precisa se dar conta e correr, ou então a Lara é esmagada ou atingida pelo que vem em sua direção. E as telas de game over não são muito agradáveis.

 O crafting é um elemento muito importante nesse game, pois é através dele que o jogador melhora as armas e implementa novas funcionalidades nas mesmas. Muito embora essas modificações se mostrem desnecessárias, em sua maioria, e algumas peças ficam em locais que só podem ser acessados se você retornar a eles quando já estiver muito avançado, o que muito farão apenas após zerar, com certeza.

 Agora vem um momento de detalhes incômodos, alguns pontos bem estranhos, para não dizer desnecessários, ou até ruins nesse jogo.

 Primeiro, as armas, com o decorrer da história Lara terá acesso a uma pistola, uma metralhadora, uma escopeta, e um arco e flechas, que podem ser modificados e melhorados nos acampamentos. Contudo, o número de armas me parece exagerado e desnecessário, ainda mais quando consideramos as modificações possíveis, tipo o lança-granadas para a metralhadora, ou as flechas com napalm para o arco, ou o silenciador para a pistola. O que acontece é que nesse tipo de jogo, normalmente, as armas tem um propósito, mas desta vez não, o 'propósito', se é que dá para chamar assim, só é real no momento onde a arma é adquirida, após isso se torna desnecessário, e destoante do restante do mundo ao redor. O melhor exemplo é a escopeta, que serve para quebrar aquelas madeiras com arame farpado que bloqueiam alguns locais, mas poderiam simplesmente não estar ali, e sim, aqueles caras com armaduras pesadas podem ser derrotados facilmente com a metralhadora, ou ainda mais com as flechas com napalm. E tem também o silenciador da pistola, que fica meio desnecessário quando as flechas são silenciosas também, e servem ainda de distração. E sim, eu finalizei sem usar ambas as armas, e não senti falta em momento algum, a escopeta até foi usada, mas totalmente por usar, sem precisar realmente.

 E o número de armas, para mim, acarreta num outro problema para o enredo do jogo, o próprio combate. Não que ele seja ruim ou qualquer coisa assim, não é isso. A questão é a ideia, que é a de que a Lara é uma sobrevivente, que luta com as armas que consegue, e é só analisar a situação, ela consegue um arco que pode ser aprimorado, e as flechas podem ser queimadas para por fogo em algo, ou até receberem explosivos para explodir no impacto, e a pistola é uma arma secundária bem útil em determinados momentos. Contudo, se o jogo desse apenas essas duas armas o desafio seria bem maior, e muito mais interessante, sim, eu fiz o teste e joguei uma boa parte do jogo apenas com o arco, e a pistola esporadicamente. O combate fica mais difícil, e exige mais estratégia, pois sejamos francos, a única dificuldade após conseguirmos as quatro armas, e principalmente um upgrade de cada uma, é mesmo a vitalidade da Lara, que é naturalmente baixa, pois fica muito fácil controlar a situação com o lança-granadas, e a escopeta.

 E para finalizar, dois detalhes, um que eu já mencionei, primeiro é a questão de 'comer', pois é, um detalhe simples, mas que faria toda a diferença quando olhamos para a capa da propaganda, que é basicamente 'a sobrevivente está de volta', algo assim. A Lara foi humanizada em muitas questões, e no início da história a primeira missão pessoal dela é se alimentar, mas após isso acabou, ela nunca mais precisará procurar comida, e matar um animal é apenas para conseguir aquele pouco XP. E o segundo, é a 'humanização' da personagem, que talvez tenha sido exagerada, é uma questão mais pessoal nesse caso mas... por que a Lara precisa apanhar tanto assim?! Ela se machuca com gravidade em tantos momentos que chega a ficar difícil entender o quanto de humanidade eles quiseram por nela, dá Lara invulnerável do Underworld nós viemos para uma vulnerável demais no reboot. Chegando a se tornar estranho ela conseguir continuar tão imediatamente em alguns momentos.

Por fim, mesmo alguns pontos negativos sendo mais uma questão de opinião, a ilha de Yamatai oferece muito a se explorar, e a diversidade de cenários e terrenos para se explorar e escalar tornam tudo duas vezes mais divertido. Com uma história sensacional e uma gameplay perfeitamente formulada para o game, a Crystal Dynamics conseguiu entregar algo bem difícil, que foi rebotar uma série tão amada, e ainda conquistar tanto os mais saudosistas quanto os mais conservadores. Tiroteios, exploração, explosões, e animais selvagens, o novo Tomb Raider faz jus ao título, pois a sobrevivente está mesmo de volta.

PLATAFORMAS: PlayStation 4, PlayStation 3, Xbox One, Xbox 360, Steam (PC).

CURIOSIDADE: A Lara muda totalmente da geração PS3 e 360 para o PS4 e Xbox One.